Bariátrica, Cirurgia Plástica milagrosa e Gordofobia.

Mesmo quando fico ausente do blog permaneço acompanhando tudo o que acontece na internet, pelo menos, relacionado a temática gorda, ou “Plus Size”. E vamos combinar, a bruxa estava solta em agosto. Teve coisa boa acontecendo, teve coisa insignificante acontecendo, e teve coisa muito podre acontecendo. Acho que parte da nossa contribuição aqui na internet é comunicar, informar, entreter sobre coisas que acontecem e precisam ser pensadas.
Não sou jornalista, nem serei. Mas, como leitora de outras pessoas, existem coisas que me causam profundo desconforto. Muitas vezes o problema maior foi só a falta de parar pra pensar naquilo que estava sendo dito e na proporção que cada coisa poderia tomar.
Dia 22 de agosto um post sobre “fazer bariátrica e se arrepender” foi publicado no blog Mulherão. Ele foi escrito pela própria pessoa que fez a cirurgia, e conta sobre todos os problemas de saúde (física e emocional) que ela sofreu. O post está maravilhoso, e traz um ponto de vista pouco discutido na internet.
Sempre que algo é criticado vem um mutirão de pessoas apoiadoras daquilo massacrando quem pensa diferente. Pessoas discordaram, falaram sobre “recalque”, se sentiram as rainhas da gastroplastia só por terem tido sucesso nas suas cirurgias.
Viver uma cirurgia, seja uma redução de estômago ou uma cesárea, é sempre algo muuuuuito pessoal, que depende do quanto a pessoa está preparada emocionalmente e fisicamente pra lidar com aquilo. Porque não aceitar quando uma pessoa expressa seu arrependimento sobre o procedimento, mesmo estando no meio de uma maioria esmagadora de pessoas que acham maravilhoso o resultado final? Bariátrica não é um passe de mágica, mas é vendida como tal.
Acho que a pessoa que busca o procedimento precisa SIM de referências positivas e negativas antes de tomar a decisão.
Então, embora eu tenha visto todo um burburinho na internet depois desse post, acho suuuuuuper válida a publicação, e desejo que mais pessoas que não foram bem-sucedidas apareçam pra mostrar que na cirurgia bariátrica não há milagre nenhum, ao contrário, necessita de muito foco e determinação para lidar com todas as adversidades que surgem a cada dia.
Paralelo a tudo isso, surgiu uma questão de ser gorda e fazer plástica na barriga, seios, rosto… isso tomou uma proporção muito menor, mas a importância não é menor.
Sou uma super apoiadora das cirurgias plásticas, e desejo, inclusive, fazer as minhas. Mas, mais uma vez, não concordo que fazer uma cirurgia seja responsável por fazer o milagre acontecer. Beleza está dentro da cabeça da gente, o conceito de beleza é uma construção. Uma pessoa que não aceita, condena e recrimina sua imagem antes da cirurgia, é uma pessoa que não vai aceitar e vai recriminar sua imagem depois da cirurgia. Aceitação está diretamente ligada a autoestima e ao auto conceito que construímos na nossa história de vida.
Todo mundo é obrigado a se aceitar incondicionalmente e estar ileso de todas as pressões estéticas sociais? De forma alguma! Cada um alimenta a neura que quiser e ninguém tem nada a ver com isso. Só não é correto vender “uma autoestima perfeita”, “um empoderamento inabalável”, se isso não for concreto. Existem pessoas vulneráveis que acompanham e se inspiram nesses discursos, que quando mudam de uma hora pra outra, desestruturam, confundem e derrubam junto aquilo que estava sendo construído. É desleal!
Depois disso tudo, surge uma modelo plus size fazendo um desserviço para o universo gordo. A pessoa que deveria ser a primeira a apoiar a causa, empoderar, fazer com que mulheres gordas acreditem em si mesmas, perde a oportunidade e dá um show de gordofobia, disfarçada de “minha opinião”, no facebook. A bonitinha expôs, denegriu e chacoteou a imagem de mulheres gordas em um ensaio fotográfico. O pior foi ver pessoas, também representantes da moda, rindo junto, em cima de um pedestauzinho tosco chamado “me acho melhor que vocês”. Esbanjou soberba, esbanjou arrogância e antipatia… esbanjou falta de empatia. Dizer isso aqui, como já disse lá na fan page do blog, é mostrar para quem não acompanha tudo de perto que modelo plus size nem sempre é referência de empatia, de empoderamento e de autoestima. Isso não é só sobre modelos, a fulaninha foi só um exemplo, pode ser com blogueiras como eu, com artistas, com estilistas, com qualquer pessoa.
Olhem bem, procurem bem, conheçam as pessoas que você seguem e se inspiram.
A internet tem espaço pra todo mundo, seja bom ou ruim. Portanto, cabe a nós selecionar!

Um beijo e até o próximo post!

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