Eu sou cheia de seguir tendências…

Acho o máximo quem segue tendências. Admiro a coragem, a ousadia, a criatividade, a disposição, a dedicação, de cada uma das pessoas que de tempo em tempo aderem uma nova forma de ser. Deve ser incrível se reinventar, também através da moda, e se apropriar de uma nova forma de ser e de se manifestar a cada ano. Imagino que exista aquela coisa de “frio na barriga”, de “borboletas no estômago”, de excitação cada vez que a possibilidade de brincar com o que vestir entra em jogo. Sigo, acompanho, compartilho essa magia com brilho nos olhos, mas não me aproprio disso.
Por muito tempo eu tentei, dedicava um esforço pra ser criativa e me apropriar daquilo que está no auge do desejo feminino.
Mas, quando parei para olhar para mim, aquela mágica toda não me representava.
Por muito tempo me achei uma mulher (menina) inadequada por não seguir tendências, por ter um estilo básico, por me vestir sempre da mesma forma e com peças muito parecidas (ou às vezes iguais) ano seguido de ano. Foi quase uma crise existencial perceber que aquilo que faz o meu olho brilhar nas revistas e nas minhas inspirações de moda não fazia meu olho brilhar na vida.
Demorou para eu entender que “tudo bem” eu estar sempre igual, que eu não preciso seguir tendência para me vestir bem, que repetir roupa em vááárias situações era aceitável, que não ser criativa na hora de me vestir não era um pecado.
Não é um pecado eu não querer usar a estampa da moda, ter o corte de cabelo da moda, o estilo de unha da moda. Um pecado é eu ter que me descaracterizar daquilo que eu entendo como “EU” para caracterizar uma mulher da década.
Eu não me aproprio das tendências, e também não deixo de me apropriar. Descobri durante essa crise que eu posso agregar a mim somente o que eu quiser, se eu quiser, e quando eu quiser.
Eu estou amando a tendência da maquiagem minimalista e iluminada, mas detesto a moda das unhas stiletto ou de acrílico. Eu acho lindas as estampas de folhagens, mas acho péssimas as sobrancelhas muito desenhadas. Ao mesmo tempo que eu acho lindo cabelo long bob nas outras pessoas, calças pantacourt nas outras pessoas, cintura alta nas outras pessoas, mas eu vou continuar com meu cabelo longo e liso, com calça jeans com barra dobradinha e de cintura baixa, porque eu aceitei que pode não funcionar em mim aquilo que funciona nos outros.
Não se trata de nadar contra a correnteza, mas de fazer a minha própria correnteza.
Eu estou aprendendo a aceitar os meus gostos pessoais e entendê-los como uma extensão de mim, e uso a minha aparência como uma forma de apresentar quem eu sou para o mundo sem ter que dizer uma só palavra.
Mas, sobre seguir tendências, eu também repensei isso.
Posso não seguir tendências de moda, mas eu sou aquela que segue tendências sim.
Tendência (em uma busca rápida no google) é definida como “aquilo que leva alguém a seguir um determinado caminho ou a agir de certa forma”, e o que eu faço da minha vida além de entender as minhas próprias razões de ser?
Minha forma de me apresentar esteticamente é resultado de toda uma bagagem de representação pessoal… e a “tendência” é que isso faça cada vez mais sentido pra mim.
Eu sou assim, eu me reconheço assim, por isso me apresento assim.
Prazer, eu.