Prioridades…

Hoje, sem receio, admito que de forma errada sempre tive tanta certeza sobre muita coisa, principalmente sobre mim.
Tenho, agora, leveza para ser, viver, tentar, errar, aceitar… experimentar.
Eu, sempre tão só, hoje amo dizer que sou conjunto.
Por tantas vezes fechei meus olhos para uma realidade que eu não queria admitir que existia, mas nesse exercício de me aprender de novo me dei a oportunidade de viver, simplesmente.
Troquei minhas lentes para a mais linda que já experimentei, e estou vendo a vida por um outro ponto de vista.
No momento mais improvável, na situação mais atípica, descobri um novo sinônimo de casa.
Vejo as coisas através da lente da felicidade, porque enquanto eu buscava algo bom para mim, acabei me deparando com algo melhor.
Paz de espírito deixou de ser uma forma de estar, e passou a ser uma reação ao som de um coração batendo tranquilo… e não é do meu coração que estou falando.
Hoje não ofereço mais o que eu tenho, mas ofereço tudo o que eu sou. Ofereço o meu universo esperando que aquele coração tranquilo se torne, quem sabe, o meu mundo.
Pensando em “resto da vida” sou capaz de ver um sorriso, um olhar que brilha, sentir um cheiro que envolve e ouvir uma voz que derrete.
Mas eu sei, todas as coisas têm um momento para ser, para acontecer… e aqui estou todos os dias contando segundos, e segundos, e segundos. O mais incrível é que o faço sem nenhuma pressa, e entrego ao universo e aquele que o rege que determine um “sim” ou “não”.
Eu poderia descrever cada curva, cada poro, cada pedacinho, mas para todos eu usaria “mais lindo do mundo” como descrição ideal.
Mas a beleza, meu bem, por incrível que pareça, é ainda maior na sua essência.
O coração que bate tranquilo tem a pureza de um bebê, e o sorriso tem a inocência de uma criança, mas a alma… essa é tão madura, tão sensata, tão segura.
Olho para mim mesma, neste momento, e me encontro novamente com aquilo que de mais profundo existe em mim e que andava tão nublado. Está tão fácil, tão simples, tão doce. Sei que tenho e sempre vou ter um lugar para estar, para onde voltar, mas agora eu sei, principalmente, o lugar para onde quero ir.
Aqui, contando os segundos, permaneço cultivando meu jardim dentro do peito, porque se um dia morada eu for, eu hei de oferecer o melhor lugar para habitar.
Por fim, aquieto meu coração sabendo que nem sempre estou onde gostaria, vivendo a história que sonhei. Mas, com calma, estou aprendendo a fazer castelos com o punhado de areia que eu disponho… e é neste castelo que eu me sinto em paz.