Seja coerente com você

Parece que não, mas isso é bem difícil de fazer principalmente porque estamos cercados de um mundo que nos impõe todo tipo de expectativa a ser cumprida.
Já tem um tempo que queria falar sobre isso aqui no blog, desde que vi uma pessoa bastante conhecida falando que “quem tem estilo básico, na verdade não tem estilo nenhum”. Isso foi falado em um vídeo cheio de visualizações, e eu, que sou básica por opção, senti um incômodo imediato com aquilo.
Será mesmo que eu sou tão sem estilo e nunca me dei conta disso? Será que sou básica por preguiça, por falta de informação de moda, por falta de interesse?
Acho que o comentário (descabido) me foi útil por me fazer parar para pensar e me questionar.
Talvez de fato fosse a hora de mudar alguma coisa em mim, de mudar meu estilo, meu comportamento, algumas coisas que me incomodam no meu corpo, meu cabelo…
Acontece que eu sou muito resistente a mudanças, e dificilmente me sinto confortável com elas. Recentemente mudei o meu cabelo, e eu não sentia necessidade de ver mais nada diferente em mim.
Eu pensei tanto sobre isso com uma carga de culpa, um sentimento até de inferioridade, como se eu tivesse que me desculpar com o mundo por ser um ser humano sem estilo… básico.
Mas, de tanto pensar eu vi que eu sou assim, que é com essa imagem que eu me gosto, que é dessa forma que eu me entendo, e que básico pode não ser um estilo ousado, chamativo, interessante, mas é um estilo sim, e o principal É O MEU ESTILO. É ele que imprime quem eu sou para o mundo, discreta, minimalista, feminina estereotipada, romântica, jovem. É assim que eu gosto de ser, é isso que eu quero que minhas roupas imprimam para o mundo.
Por que mudar uma série de coisas em mim se meu coração e meus pensamentos estão em paz, de acordo e afinados com aquilo que eu sou?
Eu gosto de quem eu sou, eu gosto de quem eu me torno a cada dia, eu gosto de como eu me vejo. Eu não tenho que suprir com a minha imagem a expectativa de ninguém.
Isso é ser coerente comigo mesma.
Também frequentemente sou questionada por não ter mudado o foco do blog e acompanhado as questões e debates das fobias socialmente validadas (como a gordofobia, por exemplo), e ter me mantido a parte de tudo isso.
Simples.
É porque eu sou assim na minha vida, e aqui na internet eu sou igual, sou a mesma pessoa.
Eu não entro em discussões, eu raramente expresso o que realmente penso sobre alguma coisa sem ter sido questionada, eu não sinto necessidade de dizer para as pessoas o que eu penso sobre algo, e muito menos acho que alguém tem que concordar comigo sobre aquilo.
Acho importantíssimo que esses assuntos sejam debatidos, e tenho amigas blogueiras maravilhosas fazendo isso de forma espetacular, mas eu não sou assim.
Eu fico aqui fazendo o que me representa, preferindo conversas mais leves com vocês, usando da moda e do universo da beleza (e quem sabe de um pouquinho do meu conhecimento em psicologia) como ferramentas para o resgate e fortalecimento da autoestima de vocês. Essa é a minha causa, é minha militância. Eu tenho me esforçado para espalhar amor, alegria, bons sentimentos, por que isso sim é coerente comigo, condiz com o que eu sou.
Pode ser que aos poucos tudo mude, ou de uma hora pra outra mesmo, e tudo bem se isso mudar, mas por enquanto minha forma de me vestir, meus assuntos preferidos, minha autoimagem, meu blog, vão continuar sendo coerentes com o que eu sou e carregando a minha verdade.
Não importa o que pensem sobre mim, o que falem sobre mim, o que desejem para mim… só importa, pra mim, saber se a pessoa que eu sou me faz feliz, se faz as pessoas ao meu redor felizes, e se os meus sentimentos emitidos estão de acordo com os que eu realmente sinto.
Coerência, nesse momento, tem sido poder olhar para mim e estar satisfeita com quem eu enxergo.
Falar sobre isso aqui no blog é ter a oportunidade de te dizer que está tudo bem em você ser como é, desde que não prejudique nada nem ninguém. Você pode ser como você se gosta, mesmo que tenha deixado de acompanhar tendências de moda, de alimentação, e estilo de vida. Está tudo bem em você não se identificar com coisas que a maioria das pessoas se identificam, está tudo bem se você acha o máximo ser igual a todo mundo. Está tudo bem qualquer coisa que represente você, que faça sentido pra você, que imprima para o mundo quem você é. Quem determina como você deve ser, como qualquer característica sua deve ser é só você e mais ninguém.
Básica ou não, essa sou eu!

Um beijo e até o próximo post!