Você se trata com carinho?

Há dias essa pergunta passa pela minha cabeça em diversas situações, por isso resolvi escrever.
Tenho a característica de ser muito observadora, e vivo atenta a tudo o que acontece ao meu redor. É triste ver a quantidade de pessoas que fazem parte da minha vida de alguma forma com tamanha auto-depreciação, auto-desvalorização. Normalmente essas auto-críticas vêm seguidas de um comentário a meu respeito: “como é que você faz pra não ser assim?”
Honestamente, não sei.
Eu não faço nada, eu só vivo de acordo com aquilo que acredito, e aplico a mim o mesmo que aplico aos outros. Talvez eu tenha desenvolvido aos poucos uma habilidade que eu não sei a partir de qual momento eu passei a ter, mas sabe todo aquele carinho que temos com nossas melhores amigas? Toda aquela atenção que damos a elas? Toda aquela valorização que damos a elas? Eu dou tudo isso pra elas sim, mas dou a mim também na mesma proporção.
Eu me olho com carinho, eu reconheço meus potenciais. Mas, justamente por reconhecer meus potenciais, também encontro meus defeitos, e na medida em que aceito esses defeitos como meus, me aproprio deles e me dou a oportunidade de desenvolvê-los.
Eu não sou daquelas que acredita que ninguém seja perfeito. Muito pelo contrário, acredito que todos nós somos perfeitos, cada um com sua particularidade. E, se sou capaz de reconhecer e identificar perfeição em todas as pessoas, seria eu muito injusta comigo mesma caso não reconhecesse a minha própria.
Pode soar prepotência, arrogância, soberba, pra quem não está habituado a isso… mas é só uma valorização do individual.
Eu olho minha irmã e sou capaz de ver nela a pessoa mais determinada do mundo;
Olho minhas melhores amigas e sou capaz de ver uma capacidade de resiliência que eu acho que nem com muito treino eu conseguiria ter; me orgulho e cada um dos passos que elas dão; admiro a capacidade de superação diária; sinto meu coração bater mais forte pela satisfação de vê-las se desenvolvendo.
Olho para todas elas e encontro pessoas maravilhosas, fisicamente, inclusive.
Sabe esse carinho que eu sou capaz de dar aos outros? Também sou capaz de me olhar com ele.
Eu aceito em paz que eu não sou a melhor pessoa do mundo, e também aceito em paz que eu não sou a pior.
Eu aceito em paz que eu poderia ter melhores resultados se eu me esforçasse mais, mas também aceito em paz que eu tenho um pouco de preguiça.
Eu aceito em paz que tenho várias partes do meu corpo que eu não gosto, e também aceito em paz que elas fazem parte do meu corpo e mudá-las está além do meu alcance.
Eu sou capaz de dizer com convicção uma qualidade minha quando me questionam, e sou capaz de dizer com a mesma convicção um defeito meu quando me perguntam.
O que quero dizer é que eu aceito quem eu sou, como eu sou. Aceito o meu contexto, aceito minha história, aceito minha vida, e me permito fazer parte dela da melhor maneira possível.
Eu me trato com carinho, com respeito, com sutileza.
As coisas vão dando certo aos pouquinhos, seja um projeto de vida ou a construção de uma autoimagem sólida.
Então respira, linda, e se dê a oportunidade de se tratar com carinho hoje.

Um beijo e até o próximo post!
Estava com saudade de vocês.